NEGOCIAÇÃO PERMANENTE
Governabilidade de Lula exigirá negociação e acordos além da Esplanada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito, em outubro, com pouco mais de 64 milhões de votos, o maior número absoluto da história das eleições presidenciais brasileiras
Embora o resultado seja mais expressivo que o da eleição de 2022, não significa que o presidente terá facilidade para governar.
Com a oposição fortalecida no Congresso Nacional, o novo mandato exigirá negociação permanente e a construção de alianças mais amplas.
Os desafios para a governabilidade foram um dos temas do Seminário Brasil 2027 - Desafios do Novo Ciclo, da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, semana passada.
O evento reuniu especialistas para discutir o cenário que emerge das urnas.
"Um dos principais obstáculos à formação de uma maioria parlamentar é o avanço de representantes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro - PL, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Considerando também partidos como Progressistas - PP e Republicanos, a direita terá mais da metade das cadeiras no Congresso", destacou o professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília - UnB, Lúcio Rennó.
Já o cientista político da Fundação Getúlio Varga - FGV, Cláudio Couto, avalia que, além da dificuldade de para formar maioria, o governo poderá enfrentar uma oposição disposta a obstruir sua agenda.
"A gente tá falando de uma direita anti-Estado Democrático. É uma direita que não reconhece a legitimidade do adversário e deve operar em lógica de sabotagem", destaca.
Couto cita como exemplo a resistência de parlamentares à reforma tributária proposta pelo governo Lula, que, segundo ele, ocorreu simplesmente por se tratar de uma iniciativa do Executivo, apesar de contar com o apoio de representantes do campo bolsonarista, como o senador Ciro Nogueira - PP.
Diante desse cenário, os partidos de centro, reunidos sob a denominação de "centrão", terão papel estratégico na tentativa de construir uma maioria parlamentar, sobretudo na Câmara dos Deputados.
A negociação com esses grupos será fundamental para viabilizar a agenda do governo.


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